Imaginemos agora um coletivo embalado pelas batidas místicas de um bom reggae raiz. Neste coletivo a diversidade impera e as cores verde, amarela e vermelha tremulam no mais alto céu. Falar de um coletivo de regueir@s que encarnam a filosofia de vida reggae no amor, na solidariedade e na resistência é digno de grandes exaltações. Foi o sentimento que tive ao adentrar as dependências do CUCA Che Guevara e já me levar pelo som místico do reggae. Ter, também, um equipamento público e da juventude ilustrado com as cores, os sons e a mística natural do reggae é magnífico.

“Eu tenho um sonho...” diria Luther King e eu o parafraseio ao conferir de pertinho o Reggart - I Mostra de Cultura Reggae do Ceará junto a outro coletivo o qual faço parte com orgulho e que carrega o reggae na essência: Projeto Portal Rádio Reggae Brasil (http://radioreggaebrasil.com.br). Esta Mostra é a materialização do que a música reggae brada aos quatro ventos e nela, sem dúvidas, está a preocupação primeira com o social. Oriundo do terceiro mundo, da bela ilha da Jamaica, o reggae sempre esteve vinculado com a luta social, com o questionamento do estabelecido, como por em xeque o status quo. E não é que o coletivo Reggart materializou os sonhos de tant@s regueir@s ao propor oficinas, debates, interações com os diversos públicos, música, tudo de graça para a comunidade regueira em plena Barra do Ceará. Em tempo, que bela Barra do Ceará! E o encontro do rio com o mar no por do sol mais lindo do mundo?! Não haveria local mais propício fugindo do eixo elitizado da cidade para um dos bairros mais populosos da cidade e que abriga uma quantidade marcante de regueir@s.

Diego Soul Rebel, Nicola Braga e Claudio Ribeiro
Tenho dito que o Reggart foi uma injeção de ânimo na cena reggae cearense, pondo-a viva e instigante. Aqui, felizmente, o reggae não é um amontoado de festas que visam unicamente o lucro, mas um movimento, um coletivo que pensa o reggae em sua magnitude e força. Orgulho-me de ter companheir@s envolvid@s com tamanho afinco. Senti-me tentado a abraçá-l@s e dizer um sincero: “Estamos juntos!”. Estou com a alma lavada e coloco-me a disposição para contribuir com o coletivo reggart onde ele estiver empunhando a mão cerrada como os gladiadores gostavam de colocar em seus discos em sinal de que a luta é ininterrupta e que JAH nos abençoará pelos caminhos que trilharemos de cabeça erguida e com o coração mais vivo badalando como a batida do reggae mais roots!

Welton Jamaica, Nadson Roots Câmara e Ivanildo Jr.
JAH nos abençoe e viva intensamente em nossos corpos. Raiz e cultura!
